em digressão

 
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SEGUNDA 2

de PAULO RIBEIRO

(estreia out/ 2021)

 

(...)

SEGUNDA 2 É uma coreografia que se desafia a si própria, que se coloca no limiar da falha que será sempre uma aliada e não uma adversária. Uma peça que convoca algumas memórias de tantas outras e que, nos seus percursos secretos, se inspira em muito daquilo que os tempos nos têm dado. Não olhamos para a falha como obstrução, assim como não olhamos para todos os sonhos desfeitos, os impasses que teimam em ser condição de vida, as dinâmicas culturais, tantas vezes inconclusivas, a tentativa vã de fixar e construir.

 

A dança continua num lugar confinado, mas isso não nos interessa, na próxima segunda tudo vai mudar, se não for na próxima será na outra, ou na seguinte, e para isso acontecer, vamos continuar a desafiarmo-nos, a brincar, a provocar e exorcizar a falha. Vamos ser singulares e colectivos. Vamos reencontrar a festa. Vamos reencontrar o corpo. Vamos continuar a dançar.

 

Paulo Ribeiro

(o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico)

 

reportório

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MEMÓRIAS DE PEDRA.
TEMPO CAÍDO

abr/2019

de Paulo Ribeiro

A convite do Município de Viseu

Estreia/Reposição

É curioso tentar falar sobre o que nos é intimamente próximo com a distância de quem passa por isso. Esta terra tem algo que a afasta do tempo, como se nele se passeasse. Povo de sobreviventes que carregam a fatalidade que lhes estreita a alma e alimenta o fado. Pedras vivas que parecem cantar o seu silêncio a memória do que nos foi particular.

 

Paulo Ribeiro, 1999

 

A convite do Município de Viseu, "Memórias de Pedra. Tempo Caído" regressa aos palcos. Vinte anos depois, o coreógrafo Paulo Ribeiro repõe a peça que inaugurou a vida da Companhia Paulo Ribeiro como estrutura residente em Viseu.

reportório

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WALKING WITH KYLIÁN.
NEVER STOP SEARCHING

nov/2017

de PAULO RIBEIRO

 

Um passeio com Jiří Kylián. É assim que Paulo Ribeiro apresenta a sua nova criação de homenagem a um coreógrafo que respira o presente e exala a intemporalidade, alguém que carrega uma mão divina. Um coreógrafo que é - para Paulo Ribeiro - uma referência maior, com quem quer comunicar, partilhar, passear intensamente.

 

Em Walking with Kylián. Never Stop Searching, Paulo Ribeiro aproxima-se de Jiří Kylián, do que está por trás das suas obras, para refletir sobre a diversidade das suas linguagens coreográficas, especialmente, sobre a diferença entre elas; mas também sobre a eficácia da linguagem e do pensamento no ato da criação. Uma coreografia para cinco intérpretes e a mão de Deus...

reportório

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CECI N'EST PAS UN FILM

- DUETO PARA MAÇÃ E OVO

2016

Não ilustramos um filme. Dialogamos com imagens, imagens com passado mas com futuro incerto.


Imagens que se vão habitando de gente, de vivências, de histórias suspensas...


Imagens que caminham para o dueto da maçã e do ovo que, por sua vez, sugere a elevação do amor.


Amor... Imagem entre o tempo que se arrasta rodopiando sobre si próprio e o dueto, que de tanto querer voar, se amarra ao chão.


Amor que se torna possessivo, exigente, dependente, desesperado, exaltado, sufocante; mas também patético, cómico, trágico-cómico, lúdico, frívolo, virtuoso, sinuoso, cabotino e esvaziado.

reportório

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A FESTA (DA INSIGNIFICÂNCIA)

2015

A Companhia Paulo Ribeiro celebra vinte anos, e não houve um único sem uma ou mais criações. Há neste percurso um movimento perpétuo de exploração de espaço, ideias, conceitos, dúvidas, encontros, desencontros, surpresas, enfim, uma coreografia que soma todas as outras num espaço aberto delimitado apenas pela interioridade. Um mergulho no mais profundo de si próprio com a vontade de encontrar o que de melhor se pode oferecer a quem decide partilhar esta aventura connosco. Como diz Bergman, sem um tu não pode haver um eu. É esta a beleza de todas as relações, muito especialmente a da relação entre autor e público. 

reportório

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MODO DE UTILIZAÇÃO

1990 / 2014

Modo de Utilização é uma peça que de forma despretensiosa e com algum humor, combate a necessidade de racionalizar a dança, dando-lhe espaço para existir por si mesma transmitindo uma energia vital e poética, em que o sentido da coreografia está naquilo que não é dito, mas sim sentido... 

reportório

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SEM UM TU NÃO

PODE HAVER UM EU

2013

Nesta coreografia, que torna inesquecível o tema "Insensatez", de Robert Wyatt, há a dança de um coração em carne viva. Um eu que quer conjugar a segunda pessoa do singular, como quem diz “sou tu, também tu”, mais do que “sou teu”. Há mais entrega que posse. Entre gestos lentos e límpidos, passos periclitantes e desmoronadiços, e movimentos sísmicos, Paulo Ribeiro desenha um mapa afectivo. O coreógrafo transforma-se num sismógrafo de tremores emocionais.  Nesta peça, há amor, ódio, solidão, angústia, dilemas conjugais, luta interior, desmoronamento, mãos e mãos. E há convulsão. Um corpo, que de tão vivo, joga xadrez com a morte. No final, uma catarse que ilumina. O choro que irrompe, como orvalho ao amanhecer.